O dia depois de amanhã
COVID 19 , Transporte / 19/06/2020

No início do século XX, os bondes eram o principal meio de transporte urbano no país. Depois veio a gripe espanhola que instaurou terror no Brasil, acabou matando o presidente eleito Rodrigues Alves e paralisou o comércio e as escolas.  À medida que a gripe atravessava as cidades, os sistemas de bondes foram forçados a fazer mudanças centradas na saúde, incluindo a exigência de máscaras nos passageiros, a limitação da capacidade dos bondes. Alguns serviços foram desativados brevemente devido à escassez de operadores. Mas a grande crise do setor de transporte ocorreu com a depressão econômica de 1930 e com o avanço da política nacionalista varguista. E hoje?  Os principais sistemas de transporte público no país registram perdas de 70 a 80% no número de passageiros. Com poucos passageiros, finanças no vermelho, operadores endividados e somado ao fato dos entes reguladores reduzirem drasticamente o serviço.  Mas diferente do que ocorreu no pós crise sanitária provocada pela Gripo Espanhola, agora, é provável que teremos uma crise econômica elevado o índice de desemprego, somado ao fato que parte dos antigos passageiros continue trabalhando remotamente, enquanto outros podem mudar seus padrões de deslocamento para dirigir, usar aplicativos de transporte ou andar de bicicleta. “Sabemos que as pessoas terão medo…

Como recuperar o transporte público infectado por COVID-19

Durante todo o período da pandemia uma grande discussão se fez presente o tempo todo: quais são os benefícios e malefícios da hidroxicloroquina, os pesquisadores estão desenhando em meio ao desconhecido um quadro que explica como o medicamento afeta indivíduos infectados pelo coronavírus. Já em relação ao transporte público o COVID-19 infectou em cheio a demanda causando déficits operacionais catastróficos, especialmente na RMTC, onde todo financiamento do sistema é feito única e exclusivamente pela tarifa cobrada do usuário. O sistema também enfrenta preocupações a longo prazo: não está claro com que rapidez o número de passageiros retornará aos níveis anteriores ao COVID-19, se é que isto irá acontecer. E repensar o financiamento do setor é o único remédio eficiente para recuperação do transporte público Os gestores do transporte público precisam rapidamente entender quais fatores determinantes da queda de receita são cíclicos/ temporários (ex. desemprego), e quais são permanentes (ex. trabalho remoto). Esses fatores colocam desafios financeiros diferentes para o serviço de transporte público e exigem respostas e diferentes. Fazendo que os reguladores e governos desafiem as suposições e a sabedoria convencional sobre como é financiamento da RMTC, buscando o equilíbrio entre subsídios e recuperação do fluxo de caixa do sistema….

O Transporte Público que conhecemos morreu de COVID-19

Em grande parte do mundo, a vida como a conhecemos chegou a um impasse. Atendendo às advertências dos governos, as pessoas ficam em casa, longe das multidões e de ambientes potencialmente infecciosos. A demanda por transporte público despencou durante a pandemia no mundo inteiro – em 75 a 85% em cidades como Goiânia, Washington, Copenhague e Buenos Aires. A Autoridade de Trânsito da Região Metropolitana de Washington projeta perdas de até US $ 52 milhões por mês devido a mudanças no estilo de vida relacionadas ao COVID-19, renúncia de tarifas de ônibus e desaceleração econômica. Mas a boa notícia é que somos uma espécie resiliente e vamos superar essa devastadora pandemia de COVID-19, embora longe de sair ilesos. As más notícias: as realidades de um mundo pós-COVID-19 trarão novos desafios às cidades e nos sistemas de transporte em particular – de sistemas metroferroviários, redes de transportes públicos, a plataformas de transporte compartilhado e até serviços de micromobilidade. Isso porque, agora, a mobilidade humana é um vetor para doenças, o que provoca o medo nas pessoas devido ao período em distanciamento social. E à medida em que a pandemia for diminuindo, espera-se que a atividade econômica seja retomada lentamente, pelo menos…

A VERDADE SOBRE A CRISE NO TRANSPORTE DE GOIÂNIA
Liberdade e Transporte / 09/05/2020

Será que o amigo leitor sabe que o sistema de transporte público coletivo de passageiros que serve a cidade de Goiânia e cidades do seu entorno enfrenta neste momento a pior crise da sua história de difícil e relativamente demorada superação, sendo uma crônica de ordem estrutural resultado da sua forma de financiamento e outra aguda de ordem conjuntural provocada pela pandemia do COVID-19. A crise estrutura é consequência do modelo de custeio do serviço que  conforme Concorrência CMTC nº 01/2007, os serviços da RMTC foram licitados e concedidos a empresas privadas na forma de quatro lotes distintos e de acordo com esses contratos, os serviços são remunerados exclusivamente pela receita obtida da cobrança da tarifa fixada, denominada tarifa básica contratual. Com efeito, a receita para manter todo o sistema decorre unicamente do número efetivo de passageiros pagantes transportados multiplicado pelo valor da tarifa. Daí decorre que a tarifa deve ser suficiente, a todo tempo, para, de acordo com as premissas de alocação de riscos e assunção de obrigações contempladas no contrato de concessão, custear os encargos demandados para a oferta do serviço à população (i.e., custos operacionais, compra de insumos, pagamentos de funcionários, etc.), realizar os investimentos necessários para…

O Futuro da mobilidade urbana
Liberdade e Transporte / 17/10/2019

O compartilhamento de viagens – a base da revolução em relação ao poder dos passageiros – nos deu um vislumbre do que o futuro reserva para aqueles que passaram grande parte de nossas vidas presos no intermináveis congestionamentos. Vale ressaltar que o deslocamento é uma impedância criada no espaço urbano pois o tempo gasto no deslocamento significa um tempo perdido em relação as necessidades das pessoas. Os aplicativos de compartilhamento de viagens tem alterado a forma como as pessoas se deslocam pela cidade. Isto afetou diretamente a qualidade de vida muito mais do que seria facilmente aparente. Uma vez que os aplicativos vem aliviando a péssima experiencia de dirigir no trânsito das grandes cidades brasileiras, mas os benefícios podem ir muito além disso. O compartilhamento de viagens permiti usar o tempo perdido durante o deslocamento para fazer ligações, ler e manter contato com clientes, colegas, familiares e amigos. Algo que no transporte público convencional é complicado devido a lotação do veículo. E isso é apenas um prenúncio do que está por vir: está chegando o momento em que as pessoas entregarão as chaves a veículos autônomos. Os passageiros poderão relaxar e aproveitar o passeio, sem estresse (exceto, talvez, pelas chamadas…

O UBER e a vida nas cidades
Liberdade e Transporte / 04/10/2019

Existem várias discussões no Brasil seja por pesquisadores ou pelos legisladores sobre o impacto do UBER (e os demais aplicativos ne mobilidade) na vida cotidiana das cidades. E as reflexões indubitavelmente caminham para a tentativa de regulação estatal por meio da criação de uma série de restrições e limitações para os aplicativos de mobilidade. Vejam como exemplo o que ocorreu na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados que felizmente rejeitou, o projeto de lei que limitava a parcela cobrada de motoristas pelos aplicativos de transporte. Atualmente, empresas como Uber e Cabify ficam com faixas entre 20% a 25% do total cobrado de usuários na corrida (a média da 99 é de 15%). O PL 448/19 busca reduzir artificialmente esta taxa para 10%. O texto foi analisado pela comissão e rejeitado por 18 votos contra e seis a favor. Os principais argumentos são de que o limitante caracteriza uma intervenção pública em uma empresa privada, o que fere a diretriz constitucional da livre iniciativa e livre concorrência. Outro exemplo foi em relação ao MetraClass, serviço de ônibus de alto padrão solicitado pelo aplicativo Ubus, que foi impedido de circular na cidade de São Paulo pois a Secretaria Municipal…

MaaS e a transformação digital do Transporte Público
Transporte / 24/09/2019

O MaaS – Mobilidade como serviço é herói ou vilão em relação a transformação digital do transporte público? A resposta não é simples pois depende da capacidade de alinhar as metas de resultados das empresas participantes com o interesse público, neste caso representado pelas autoridades e operadores locais de transporte público. Sendo assim é provável que essas partes tenham objetivos conflitantes. Portanto, há um alto risco de conflitos. O MaaS tem como um dos seus principais objetivos o de motivar as pessoas a abandonar seus carros e, em vez disso, mudar para serviços de mobilidade mais eficientes. Com maior eficiência nos deslocamentos, o MaaS então reduzirá custos, congestionamentos, poluição do ar, ruído, acidentes, melhorando a mobilidade e liberando novos espaços urbanos atualmente ocupados por estacionamentos. O que na primeira avaliação poderia gerar um efeito muito positivo para o transporte público. Porém, para as empresas privadas participantes, os benefícios acima mencionados são de natureza secundária, pois como todas as empresas, elas precisam lucrar para sobreviver no mercado – ou ainda precisam atingir metas agressivas de crescimento e participação de mercado, quando são alavancadas por capital de risco. Já os operadores de transporte público (OTP) estão acostumados a uma situação monopolista e agora tem seus mercados…

Uma proposta para os candidatos ao legislativo em 2018
Liberdade e Transporte / 22/01/2018

A ideia deste texto é trabalharmos com alguns pontos importantes em relação a privatização do viário urbano. Por isso o texto não tem nenhum rigor cientifico e/ou metodológico e tendo como base a premissa de usarmos a legislação atual para implantação desta ideia, mas também é válido trabalhar no futuro com policy paper visando alterar a legislação vigente Portanto, a proposta que se pretende desenvolver tem por objetivo a privatização do viário urbano e tendo como propósito a necessidade de intervenções destinadas a melhorar a fluidez da locomoção do transporte coletivo. E a estrutura proposta consiste em uma concessão administrativa, modalidade de parceria público-privada (PPP) disciplinada pela Lei nº. 11.079, de 30/12/2004. Nesta estrutura, o poder público licita a concessão da implantação, operação e manutenção de vias previamente definidas. Em seguida é contratado um ente privado com a incumbência de realizar todas as obras necessárias, adquirir todos os equipamentos e operar o sistema pelo prazo da concessão, devendo realizar todos os investimentos demandados para tanto. A remuneração do concessionário advém de contraprestações pagas pelos usuários da via, bem como de (i) recebíveis cedidos ao concessionário (como a outorga onerosa do direito de construir) e (ii) a exploração dos espaços (como…

Parem de destruir o Transporte Público Coletivo
Liberdade e Transporte / 17/08/2017

A crise pela qual o Sistema de Transporte Público Coletivo tem explicitado a instabilidade do modelo atual, que financiado majoritariamente pela tarifa calculada de forma política e com um planejamento central que não reflete a real necessidade dos usuários. As manifestações de 2013 (conhecidas pelo slogan “não é pelos 20 centavos”) levaram a uma maior intervenção estatal no sistema e na maioria das capitais o preço da tarifa foi congelado, gerando assim uma grande insustentabilidade ao setor. Sendo assim, as causas das crises são as mesmas: i) sucateamento dos serviços devido o desequilíbrio econômico fruto do congelamento compulsório das tarifas; ii) falta de competitividade do setor frente aos demais modais de deslocamento (bicicleta, automóvel próprio, transporte “pirata”, aplicativos como o UBER, etc.); iii) falta de autonomia dos agentes privados para usarem estratégias de mercado para oferecer um serviço mais adequado ao seu mercado; iv) uso político do serviço de transporte coletivo, nas três esferas do poder: executivo, legislativo e judiciário; e v) a crise econômica do país. No entanto, a sociedade ao invés de lutar contra o cerne do problema que é a maior intervenção do estado no serviço de transporte público, fica simplesmente criticando os empresários com a falsa…

Aumento do PIS/COFINS nos combustíveis e o transporte público: O que vê e o que não se vê
Liberdade e Transporte / 27/07/2017

Logo após o aumento do PIS/COFINS do óleo diesel, de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 nas refinarias uma grande discussão foi levantada no país em relação ao impacto nas tarifas do transporte público, e para o senso comum um aumento nas tarifas seria um absurdo pois os lucros das operadoras seriam suficientes para financiar este aumento. Entretanto este pensamento simplista é uma falácia como explicou o economista francês Frédéric Bastiat, ainda no Sec. XIX, que, para que possamos realmente entender as consequências de uma política, temos de considerar tanto  “aquilo que é visto como aquilo que não é visto”: Já Henry Hazlitt, discípulo intelectual de Bastiat, identificou a: “persistente tendência de os homens verem apenas os efeitos imediatos de uma dada política, ou apenas seus efeitos sobre um determinado grupo de indivíduos, e negligenciarem quais serão os efeitos de longo prazo daquela mesma política” Sendo assim uma ação não gera somente um efeito, mas uma série de efeitos.  Dentre esses, só o primeiro efeito é facilmente percebido.  Os demais só aparecem depois e não são visíveis facilmente. Como o caso do aumento PIS/COFINS do Óleo Diesel, neste caso é fácil enxergar o aumento do combustível nas bombas, mas não é…