Liberdade e Estado

Uma conversa surreal em tempos insólitos

Assistindo mais uma live neste período de isolamento social me deparei com uma discussão surreal entre liberais. Para manter a discrição a respeito das pessoas que participaram desta situação alarmante e ao mesmo tempo de bastante aprendizado, sendo assim para um debatedor usarei o pseudônimo de Ester e para o outro Pedro.

Tudo começou quando Pedro começou a criticar a ex-jogadora de vôlei Ana Paula acusando a mesma de usar o liberalismo como justificativa pra falar que o isolamento social deveria acabar.

Neste momento Ester ressaltou que Pedro não estava compreendendo a posição da ex-jogadora. Ester afirmou que a Ana Paula estava na verdade criticando a ação estatal contra os indivíduos por meio do monopólio da força. Em seguida afirmou que este é um dos principais valores do liberalismo.

Ester ressaltou ainda que a decisão de isolamento deveria ser individual e não arbitrada pelo ente público de forma coercitiva. Na visão liberal o indivíduo deveria ser responsabilizado pelos seus atos e não tutelado pelo estado

Pedro então disse que concordava plenamente, mas que nosso povo ainda não tinha essa visão de pensar no próximo e que só vamos conseguir melhorar isso por meio da educação. E que não adianta liberdade se não há responsabilidade.

Continuou reforçando que o liberalismo precisa andar de mãos dadas com a educação e a mudança de hábito fruto de uma mudança cultural. E afirmou que o problema do Brasil é o brasileiro!

Em seguida Pedro afirmou que a renda do estado vem do povo, então não é de interesse dos governantes que o comércio feche. Contudo, se essa decisão foi tomada, é porque as outras medidas não foram eficientes. Ninguém pretende ser responsabilizado por transmitir o vírus, essa é a verdade.

Em seguida, Pedro, indagou sobre o que aconteceu na Suécia? Onde os governantes acharam que a educação e alto nível de “civilização” das pessoas seria suficiente para que tomassem todas as medidas preventivas contra o coronavírus.

E por fim fez um desabafo no qual disse que sofre na sua empresa de construção civil, pois é só ele virar as costas que os funcionários tiram a máscara e poucos tem consciência. Infelizmente ele teve que mandar um embora por não querer usar a máscara. E que tomou esta atitude pois ele está plantando uma semente que pode ser a melhor de todas, mas se o solo continuar infértil, não irá germinar. E que o trabalho é de formiguinha, mudar a nossa cultura. E que a atitude estatal vigente defende a maior das liberdades, o direito à vida.

Em seguida Ester afirmou que a principal arma cultural dos coletivistas no Brasil é usar o slogan que o pior do Brasil é o brasileiro. Com esta frase ele reforça que a ordem para ser executada no país precisa de um estado forte coercitiva e ao mesmo tempo babá e protetor. Numa visão acerca da ação humana seria qual o problema de uma pessoa sair na rua e se infectar e morrer por causa dos seus próprios atos? Por que precisamos de um protetor? É este o foco, a transformação está em devolver aos indivíduos suas próprias responsabilidades

Então Pedro rebateu dizendo que o problema não é a pessoa sair na rua, se infectar e morrer pelos próprios atos. É infectar o familiar que está em casa respeitando o isolamento.

Mas isto se resolve internamente na familia, não deve o estado policiar e agir de forma coercitiva. O mesmo, vale para cigarros, drogas, bebidas, prostituição…. retrucou Ester.

Em seguida Pedro fez um paralelo entre o Libertarianismo e o Liberalismo afirmando que os Libertários representam uma corrente de pensamento que mantém e cultiva uma utopia. Isso não é pernicioso ao liberalismo clássico. As utopias são referências e nesse sentido é aonde idealmente se gostaria de estar. Os libertários, assim como os liberais, são favoráveis a uma ordem. Os liberais aceitam muitas funções do Estado que são questionadas pelos libertários. Na maioria dos casos para os quais os liberais reconhecem o papel do Estado e os libertários não, as diferenças são de natureza prática. Como os liberais não conseguem substituir a decisão coletiva por decisões individuais que produzam melhores resultados, aceitam a ação do governo na condução de tais decisões, contrariamente aos libertários.

Então Ester afirmou que nenhum e nem o outro acreditam que o estado deva suprimir a liberdade de nenhum indivíduo. E que o problema em questão não é o isolamento e sim a forma coercitiva que o estado está utilizando para valer seu monopólio da força.

Então Pedro afirmou que o governo está sofrendo e que seria muito melhor pra ele deixar que as pessoas decidam, mas a consequências disso poderiam ser catastróficas. E que estamos em uma pandemia e o SUS faz parte do governo, então ele pode sim ser coercitivo pois o libertarianista, quando se infectar pelo coronavírus, irá procurar ajuda do estado.

Já Ester lembrou que este seria mais um pensamento coletivista. Primeiro porque o atendimento à saúde não é um direito e sim bem escasso e excludente. E que o SUS é o nosso pior inimigo nesta época de pandemia, imagine o quanto não seria produtivo se todo o recurso perdido no SUS nas últimas décadas estivessem na sociedade por meio de uma saúde privada? quantos leitos hospitalares? Sem falar do saneamento básico….

Em seguida, Ester ressaltou que a liberdade é um direito natural, junto com a vida e a propriedade privada e que as pessoas deveriam aprender a tomar decisões sem precisar da tutela estatal. Afirmou quanto a existência de ordem dentro das ações humanas e que só seremos uma grande nação quando aprendermos que não existem coletivos, classe, ordem, mas sim indivíduos. E reforçou o fato do Leviatã estar se aproveitando do caos para aumentar seu poder sobre os indivíduos, comprar sem licitações e criar um ambiente propício para corrupção. E que o caos é a situação na qual o poder estatal cresce e a individualidade vai sumindo. Lembrando que o estado é formado pelas mesmas pessoas que formam a sociedade.

Então Pedro disse em voz mais alta que era a favor tanto das liberdades individuais quanto as liberdades coletivas. E que estava discutindo quanto a atitude do estado perante a Pandemia. Isso não quer dizer que concordo com as outras atitudes.

Entretanto, Ester lembrou que não existe esta dissociação pois o estado está presente. E diferente do Pedro, ela citou como sucesso a atitude da Suécia em repassar a responsabilidade para os indivíduos. E eles não são melhores que os brasileiros, eles só perceberam que se saíssem iriam correr risco de morte. E no Brasil por questões políticas vários setores estão querendo ver quem melhor tutela a população e assim a maioria passa a não dar credibilidade ao que o estado fala ou faz pois agride seu direito de decidir

Então Pedro, com sorriso no rosto, rebateu dizendo que era uma falácia a fala de Ester. Pois ao fazer uma análise de quantidade de contaminados e de mortes, e a proporção de pessoas em cada país. O Brasil está com uma situação melhor que a Suécia. E que era defensor da liberdade. mas como dito anteriormente, nesta situação, o fato de permitir algumas situações, coloca em risco a saúde coletiva. então, a partir do momento que sim, começa a afetar diretamente outras pessoas, medidas precisam ser tomadas. E finalizou dizendo que quanto a restrições impostas pelo estado para combater a disseminação do vírus estão corretas. Mas em relação aos outros fatos, concordava plenamente com a Ester.

Ouvindo isto, Ester sorriu e disse que é mais fácil entregar a liberdade em nome da segurança do que quando perder também a segurança buscar a liberdade.

Sendo assim, concluo este meu texto reforçando que foi um debate real entre dois liberais. Eu concordo com a Ester. E vocês?

Be the First to comment.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *